sexta-feira, 14 de julho de 2017

Inefável


Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.
Sou como um Réu de celestial sentença,
Condenado do Amor, que se recorda
Do Amor e sempre no Silêncio borda
De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

Claros, meus olhos tornam-se mais claros
E tudo vejo de encantos raros
E de outras mais serenas madrugadas!

Todas as vozes que procuro e chamo
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo
Na minha alma volteando arrebatadas

CRUZ E SOUSA

domingo, 25 de junho de 2017

Civilização: a efemeridade do termo

         O conto “Civilização”, de Eça de Queirós, nos propõe uma reflexão acerca da noção que se tem de tal vocábulo posto no título. Em primeiro plano, civilização é o conjunto de aspectos próprios à vida intelectual, material e social concernentes ao progresso. O texto trata-se de uma crítica à significação desta ideia e à burguesia.
        Nesta narrativa, o escritor português insere a arte da ironia e, ao longo do enredo, o texto adquire matizes de comicidade. O narrador em primeira pessoa expõe a vida de seu amigo Jacinto, que é alguém muito rico e dispõe de muitos utensílios para o seu dia a dia. A jocosidade disso tudo está no fato de que Jacinto possui tantas coisas que representam “civilização” e nenhuma delas lhe apraz por completo. Jacinto está sempre buscando ferramentas para livrar-se do tédio diário.
      Sua casa é chamada Jasmineiro. Tudo lá dentro é “formidavelmente abastecido” de grandes invenções. Nota-se a sátira e a crítica à burguesia quando Jacinto precisa de seis escovas para pentear o cabelo, quatro toalhas para enxugar as mãos e daí por diante. Na verdade, quem precisa de tudo isto?
       Tudo o que exprime “civilização” apresenta falhas; as consequências geralmente não são boas. O fonógrafo - hoje totalmente obsoleto para nós – é uma ironia em si mesmo. Tendo sido gravado nele a voz de uma autoridade dizendo: “Maravilhosa invenção! Quem não admirará os progressos deste século?”, o aparelho começa a apresentar defeitos e ninguém suporta a repetição incessante da frase proferida como um oráculo.
       Outra curiosidade do conto é em relação ao nome “Jacinto”. Sua origem é grega e seu significado é “ai de mim”. O que lhe caiu muito bem, pois o mesmo narrador o define como a “própria imagem do desalento”. Jacinto está sempre entediado e boceja “cavo e lento”. Seu enfado acaba ao ir para outra casa que ele possui. No entanto, por alguma falha de comunicação, ao chegar, Jacinto não vê nada feito daquilo que foi determinado para sua acomodação civilizacional.
    Entretanto, Jacinto se acostuma à simplicidade que a vida no campo lhe proporciona. Sem o fonógrafo, sem o telefone ou outras grandes invenções do progresso, Jacinto volta a sorrir e valoriza o que é simples. Está aí a oposição vida urbana e vida rural.
     No final, a decadência do Jasmineiro nos faz pensar sobre a ideia de “civilização”. Na verdade, é algo efêmero, transitório. O que antes, no século XIX ou no século XVIII, era considerado como civilização, hoje, no nosso século, é considerado ultrapassado ou normal por estar incorporado em nossas vidas. Amanhã, tudo isso mudará mais uma vez.
     A queda do Jasmineiro é como uma previsão do futuro de todas essas grandes invenções que vão sendo superadas o tempo todo. Por fim, vimos que civilização não é sinônimo nem garantia de vida plena e felicidade.

LEIA O CONTO AQUI: http://www.portugues.seed.pr.gov.br/arquivos/File/leit_online/eca9.pdf

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde
Por que nos conhecemos? Por que o acaso o quis? Foi porque através da distância, sem dúvida, como dois rios que correm a unir-se, nossas inclinações particulares nos impeliram um para o outro.


*Gustave Flaubert*

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A lição do bambu chinês


D
epois de plantada a semente deste incrível arbusto, não se vê nada por aproximadamente 5 anos exceto lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bulbo.

Durante cinco anos, todo o crescimento é subterrâneo, invisível a olho nu, mas...

Uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída.

Então, no final do quinto ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Um escritor de nome Covey escreveu: “Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará e, com ele, virá um crescimento e mudanças que você jamais esperava... O bambu chinês nos ensina que não devemos facilmente desistir de nossos projetos, de nossos sonhos... Em nosso trabalho, especialmente, que é um projeto fabuloso que envolve mudanças de comportamento, de pensamento, de cultura e desensibilização. Para ações devemos sempre lembrar do bambu chinês, para não desistirmos facilmente diante das dificuldades que surgirão. Tenha sempre dois hábitos: persistência e paciência, pois tu mereces alcançar todos os seus sonhos! É preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão”.



Recebido por email (autoria desconhecida por mim)