O conto “Civilização”, de Eça
de Queirós, nos propõe uma reflexão acerca da noção que se tem de tal vocábulo
posto no título. Em primeiro plano, civilização é o conjunto de aspectos próprios
à vida intelectual, material e social concernentes ao progresso. O texto
trata-se de uma crítica à significação desta ideia e à burguesia.
Nesta narrativa, o escritor português insere a arte da ironia e, ao longo do enredo, o texto adquire matizes de comicidade. O narrador em primeira pessoa expõe a vida de seu amigo Jacinto, que é alguém muito rico e dispõe de muitos utensílios para o seu dia a dia. A jocosidade disso tudo está no fato de que Jacinto possui tantas coisas que representam “civilização” e nenhuma delas lhe apraz por completo. Jacinto está sempre buscando ferramentas para livrar-se do tédio diário.
Sua casa é chamada Jasmineiro. Tudo lá dentro é “formidavelmente abastecido” de grandes invenções. Nota-se a sátira e a crítica à burguesia quando Jacinto precisa de seis escovas para pentear o cabelo, quatro toalhas para enxugar as mãos e daí por diante. Na verdade, quem precisa de tudo isto?
Tudo o que exprime “civilização” apresenta falhas; as consequências geralmente não são boas. O fonógrafo - hoje totalmente obsoleto para nós – é uma ironia em si mesmo. Tendo sido gravado nele a voz de uma autoridade dizendo: “Maravilhosa invenção! Quem não admirará os progressos deste século?”, o aparelho começa a apresentar defeitos e ninguém suporta a repetição incessante da frase proferida como um oráculo.
Outra curiosidade do conto é em relação ao nome “Jacinto”. Sua origem é grega e seu significado é “ai de mim”. O que lhe caiu muito bem, pois o mesmo narrador o define como a “própria imagem do desalento”. Jacinto está sempre entediado e boceja “cavo e lento”. Seu enfado acaba ao ir para outra casa que ele possui. No entanto, por alguma falha de comunicação, ao chegar, Jacinto não vê nada feito daquilo que foi determinado para sua acomodação civilizacional.
Entretanto, Jacinto se acostuma à simplicidade que a vida no campo lhe proporciona. Sem o fonógrafo, sem o telefone ou outras grandes invenções do progresso, Jacinto volta a sorrir e valoriza o que é simples. Está aí a oposição vida urbana e vida rural.
No final, a decadência do Jasmineiro nos faz pensar sobre a ideia de “civilização”. Na verdade, é algo efêmero, transitório. O que antes, no século XIX ou no século XVIII, era considerado como civilização, hoje, no nosso século, é considerado ultrapassado ou normal por estar incorporado em nossas vidas. Amanhã, tudo isso mudará mais uma vez.
A queda do Jasmineiro é como uma previsão do futuro de todas essas grandes invenções que vão sendo superadas o tempo todo. Por fim, vimos que civilização não é sinônimo nem garantia de vida plena e felicidade.
Nesta narrativa, o escritor português insere a arte da ironia e, ao longo do enredo, o texto adquire matizes de comicidade. O narrador em primeira pessoa expõe a vida de seu amigo Jacinto, que é alguém muito rico e dispõe de muitos utensílios para o seu dia a dia. A jocosidade disso tudo está no fato de que Jacinto possui tantas coisas que representam “civilização” e nenhuma delas lhe apraz por completo. Jacinto está sempre buscando ferramentas para livrar-se do tédio diário.
Sua casa é chamada Jasmineiro. Tudo lá dentro é “formidavelmente abastecido” de grandes invenções. Nota-se a sátira e a crítica à burguesia quando Jacinto precisa de seis escovas para pentear o cabelo, quatro toalhas para enxugar as mãos e daí por diante. Na verdade, quem precisa de tudo isto?
Tudo o que exprime “civilização” apresenta falhas; as consequências geralmente não são boas. O fonógrafo - hoje totalmente obsoleto para nós – é uma ironia em si mesmo. Tendo sido gravado nele a voz de uma autoridade dizendo: “Maravilhosa invenção! Quem não admirará os progressos deste século?”, o aparelho começa a apresentar defeitos e ninguém suporta a repetição incessante da frase proferida como um oráculo.
Outra curiosidade do conto é em relação ao nome “Jacinto”. Sua origem é grega e seu significado é “ai de mim”. O que lhe caiu muito bem, pois o mesmo narrador o define como a “própria imagem do desalento”. Jacinto está sempre entediado e boceja “cavo e lento”. Seu enfado acaba ao ir para outra casa que ele possui. No entanto, por alguma falha de comunicação, ao chegar, Jacinto não vê nada feito daquilo que foi determinado para sua acomodação civilizacional.
Entretanto, Jacinto se acostuma à simplicidade que a vida no campo lhe proporciona. Sem o fonógrafo, sem o telefone ou outras grandes invenções do progresso, Jacinto volta a sorrir e valoriza o que é simples. Está aí a oposição vida urbana e vida rural.
No final, a decadência do Jasmineiro nos faz pensar sobre a ideia de “civilização”. Na verdade, é algo efêmero, transitório. O que antes, no século XIX ou no século XVIII, era considerado como civilização, hoje, no nosso século, é considerado ultrapassado ou normal por estar incorporado em nossas vidas. Amanhã, tudo isso mudará mais uma vez.
A queda do Jasmineiro é como uma previsão do futuro de todas essas grandes invenções que vão sendo superadas o tempo todo. Por fim, vimos que civilização não é sinônimo nem garantia de vida plena e felicidade.
LEIA O CONTO AQUI: http://www.portugues.seed.pr.gov.br/arquivos/File/leit_online/eca9.pdf
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